quinta-feira, 6 de outubro de 2011

revolução de sofá.

Tudo o que quero falar é muito vago. Tudo o que quero falar é muito, excessivo ao ouvido dos mais críticos e dos não-pensantes, mas é pouco para os revolucionários.
O que se espera para hoje é tudo que já tivemos ontem. As nações já não falam sobre o sangue derramado, afinal, quem se atreveria a assumi-lo? E a crítica já não é mais a mesma, tudo está mais discreto. Rebeliões em silêncio, é disso que se trata: os gritos em salas fechadas, opiniões trancadas em caixas. Esta é a grande opressão, iniciada pela ambição, manipulada e projetada pela "vontade divina", segundo muitos regressores. Porém, seu término não está previsto, ao que parece, seu fim é indeterminável. Iniciemos a revolução de sofá.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

i won't share you.

regressão.

A autenticidade das máquinas, as muitas revoluções e suas consequentes rebeliões. A constância que essa rapidez alcança é inabalável, e ela tende a crescer casa vez mais. De fato, a competitividade e crítica própria, mais do que nunca, são fatores indispensáveis para o crescimento do homem moderno.
Mas basta essa correria toda. Tudo está acelerado, e não me queixarei disso pois não estou inclusa nesta rotina cotidiana. Meus pensamentos não tem lógica, e pouco me interessa acompanhar as constantes mudanças, apesar disso, acompanho-as. Mas não vivo-as. A influência alheia é mínima.
Por estar questionando a rotina, não significa que não estou induzida à mesma , apenas observo-as  em silêncio; desta quietude tiro conclusões  mal-pensadas. Concluo que essa influência é uma consequência do cansaço das pessoas de lutarem contra a mesma.
Logo, proponho uma regressão ao tempo, acompanhada por uma xícara de café ao fim da tarde e uma dose de gargalhadas à toa.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

insônia.

Insônia. Ela bem sabe que meus pensamentos não vão se acalmar enquanto eu não confessá-los ao papel.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

ser poeta.

"...um poeta torna-se um sonhador através de um longo, ilimitado e sistemático desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; investiga-se a si próprio, consome dentro de si todos os venenos e preserva as suas quintessências. Um tormento indescritível, onde irá encontrar a maior fé, uma força sobrehumana, com que se torna, de entre todos os homens, o grande inválido, o grande maldito – e o Supremo Cientista! Pois alcança o desconhecido! E que interessa se for destruído no seu vôo extático por coisas inauditas e inomináveis." - Arthur Rimbaud

quarta-feira, 20 de julho de 2011

menina Bia.

São Paulo, Brasil
19 de julho de 2011

"(...) Que tal filosofar? Venho pensando demasiadamente sobre o futuro. Não sei bem, às vezes tenho a impressão que estou desperdiçando meu tempo.Como se eu esperasse o tempo todo algo acontecer mas sem saber direito o que é. E às vezes dá vontade de conhecer o futuro só para aliviar a ansiedade dentro de mim. Queria mesmo é poder voar, voando é que me sentiria livre. Perdoe ter que induzi-la à isso, mas agora eu preciso mais do que nunca me conhecer. Você me conhece, menina Bia? Eu pouco sei quem sou, sou alheia à mim mesma, posso conhecer a todos, ao primeiro rosto desconhecido que vier a minha frente, porém não me entendo e não dá para negar que somos humanos e precisamos conhecer as coisas. Na verdade não há uma real necessidade, há mesmo uma curiosidade de entendimento. Se sou indiferente à mim mesma é porque não tive desejo o suficiente para me entender. Talvez por ser desinteressante, não sei. Sei apenas que vivo.
Vive-se pois viver é a única desculpa que temos para escrever. Escreve-se por necessidade, escreve-se enquanto se questiona. Escreve-se enquanto se duvida. Não é dom, a gente finge que se entende mesmo não tendo nada que possa ser compreendido puramente em sua única perspectiva. E você, menina Bia, talvez me entenda. Você estava sempre em sua prontidão com conselhos infinitos e teorias filosóficas intermináveis. Pois bem, neste exato momento eu sinto sua falta mais do que nunca. (...)"

sexta-feira, 8 de julho de 2011

solidão que nada.

Ame a sua solidão e carregue com queixas harmoniosas a dor que ela lhe causa. Diz que os que sente próximos estão longe. Isto mostra que começa a fazer-se espaço em redor de si. Se o próximo lhe parece longe, os seus longes alcançam as estrelas, são imensos. Alegre-se com esta imensidade, para a qual não pode carregar ninguém consigo.
(Cartas à um jovem poeta - Rainer Maria Rilke)
Solidão. Se choro não tenho motivos dignos o suficiente de uma lágrima, tão pouco de um acalento. Eu desejaria provar da infinidade apenas uma vez. O vazio me cerca, me domina, traz à tona os segundos não preenchidos. Diriam que esta desordem está me levando à falência. Saiba que não há desordem, não há caos, posso degustar apenas do silêncio infindável que nos foi imposto. Logo percebo a omissão que permiti à mim mesma. Há caos, sim e há um vazio que preenche meus pensamentos; é complicado admitir.
É solidão, que se diz carência e se auto-nomeia saudade. Não há definições corretas, solidão é falta de mimo, anti-socialismo e drama de menino. É tudo aquilo que nos permite criar uma própria atmosfera, e dela desfrutar, com tamanha melancolia, a nossa própria companhia.
De qualquer forma, perdoem-me pois já perdi o jeito de acompanhar a escrita.