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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

revolução de sofá.

Tudo o que quero falar é muito vago. Tudo o que quero falar é muito, excessivo ao ouvido dos mais críticos e dos não-pensantes, mas é pouco para os revolucionários.
O que se espera para hoje é tudo que já tivemos ontem. As nações já não falam sobre o sangue derramado, afinal, quem se atreveria a assumi-lo? E a crítica já não é mais a mesma, tudo está mais discreto. Rebeliões em silêncio, é disso que se trata: os gritos em salas fechadas, opiniões trancadas em caixas. Esta é a grande opressão, iniciada pela ambição, manipulada e projetada pela "vontade divina", segundo muitos regressores. Porém, seu término não está previsto, ao que parece, seu fim é indeterminável. Iniciemos a revolução de sofá.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

solidão que nada.

Ame a sua solidão e carregue com queixas harmoniosas a dor que ela lhe causa. Diz que os que sente próximos estão longe. Isto mostra que começa a fazer-se espaço em redor de si. Se o próximo lhe parece longe, os seus longes alcançam as estrelas, são imensos. Alegre-se com esta imensidade, para a qual não pode carregar ninguém consigo.
(Cartas à um jovem poeta - Rainer Maria Rilke)
Solidão. Se choro não tenho motivos dignos o suficiente de uma lágrima, tão pouco de um acalento. Eu desejaria provar da infinidade apenas uma vez. O vazio me cerca, me domina, traz à tona os segundos não preenchidos. Diriam que esta desordem está me levando à falência. Saiba que não há desordem, não há caos, posso degustar apenas do silêncio infindável que nos foi imposto. Logo percebo a omissão que permiti à mim mesma. Há caos, sim e há um vazio que preenche meus pensamentos; é complicado admitir.
É solidão, que se diz carência e se auto-nomeia saudade. Não há definições corretas, solidão é falta de mimo, anti-socialismo e drama de menino. É tudo aquilo que nos permite criar uma própria atmosfera, e dela desfrutar, com tamanha melancolia, a nossa própria companhia.
De qualquer forma, perdoem-me pois já perdi o jeito de acompanhar a escrita.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

alto-falante.

Às vezes a voz fica sufocada lá na garganta. Temos frases feitas e já pensadas e repensadas, depois de tantas hipóteses elaboradas eu ainda não tenho ideia de como falar. Com um sorriso tímido, eu murmuro alguma coisa baixa demais para ser ouvida. Porque, de fato, ninguém quer ouvir minha voz, mas eu nunca tentei gritar, apenas sussurro para os que querem ouvir. E acaba que você se torna uma boa ouvinte, que quer dar asas a voz da razão - não se trata do quão alto a sua voz está, e sim, o quão interessados os seus ouvintes estão.
Ora, e quando todos verem o que tenho pra falar, talvez vejam que minha voz não é tão rouca quanto parece, e que não sou muda, não senhor. Eu só prefiro poupar palavras para quem não sabe ouvir.
No final, eu coloco um sorriso no rosto, finjo estar feliz e somente os mais inteligentes saberão transformar aquilo em um sorriso de verdade. E também saberei dar voz a minha imaginação.
E quando eu estiver cansada de tanto falar, ainda terei papel e caneta na mão.

domingo, 28 de novembro de 2010

grande pequenez.

Nós, o povo, lutamos por nossa sobrevivência
Nós não nos julgamos perfeitos, mas somos livres
Sonhamos nossos sonhos sozinhos sem resistência
Enfraquecemos como as estrelas que desejamos ser
(Oasis - Little by Little)


Eu prometo que serei educada, irei sorrir todo tempo, e quando me perguntarem  "Você está bem?" não vou hesitar em responder (afinal, eles não se importam com sua resposta). Vou acenar que "sim" com a cabeça e cumprimentá-los, mesmo que eu sinta minha alma desgastada. Não questionarei o porquê das coisas e pouco me importa meu mal-humor matinal, vou engolir as todas lágrimas à contra-gosto. E mesmo que o mundo pareça sem graça e monocromático não vou tentar colorir quadros. As algemas presas no meu pulso incomodam, confesso, mas juro que não irei buscar a liberdade.
E farei com que os pingos da chuva se tornem apenas água. Os movimentos serão todos controlados. As risadas vão ser apenas ruídos. E juro, acima de tudo, que nunca mais irei sentir. Nada.

Porque, afinal, é assim que as coisas devem ser.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

palavras e outros afins.

Não diria que as palavras me encabulam. Às vezes me sinto desconfortável com elas, como quando sou obrigada a ouvir um "adeus", ou um "nunca", essas não estão habituadas no meu vocabulário. Porém, costumo gostar de palavras na maioria das vezes, é minha melhor maneira de se expressar, mesmo que ninguém ouça ou leia o que tenho a dizer. Em certos casos, preciso de uma simples palavra para resumir tudo, como um "sim", ou um "eu te amo", embora esta frase não tenha soado tão verdadeiramente na boca das pessoas.
 As palavras formam lindas frases, textos comoventes, ou uma confissão. Elas podem ser desnecessárias, só para aliviar alguma coisa que está presa dentro de você. Para alguns, palavras são inúteis, e o silêncio vale ouro. Para mim, palavras são valiosas, assim como um momento de quietude. É preciso gritar para calar o silêncio, mesmo porque o silêncio é o maior ruído.